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Anaquim é um duende com molas nos pés que se esconde a observar o mundo dos outros “como se dele fizesse parte”, vendo as coisas de uma forma “imparcial” e “fresca”, convidando à "mudança” e combatendo o “conformismo”.
“Em traços gerais e exteriores é um duende com 1,20 metros de altura e com molas nos pés, para reflectir o carácter saltitão de algumas músicas e também para lhe permitir aparecer e desaparecer nos sítios, porque é suposto que ele seja observador e cronista”, explica ao Expressões Lusitanas o mentor do projecto, José Rebola.
Anaquim consegue ver as coisas de uma forma “imparcial” e sem estar associado ao “peso de um passado e de uma tradição”. Consegue alhear-se de uma realidade “anterior” de preconceitos e estereótipos e, através deste olhar “imparcial”, consegue “transmitir” aquilo que vê.
“É uma espécie de visão fresca do mundo. A questão que se coloca é o que pensaria um duende que chegasse aqui sendo uma folha em branco? Há coisas que só continuamos a fazer porque sempre fizemos assim e, portanto, só tirando este tapete da tradição ou do hábito é que podemos ir ao cerne de algumas questões e ver se fazem sentido”, detalha.
Natural de Coimbra, José Rebola dá vida a esta personagem e confessa que, para ele, é “impossível” ter este olhar imparcial e esta “visão fresca”. Refere que deve ser um “heterónimo” e um “alter-ego” de todos.
Nascido em 2006, o projecto Anaquim surgiu a partir de canções que foram escritas para um outro projecto que teve em mãos – “The Cynicals” -, “mais virado para o punk rock e de expressão inglesa”.
Ao começar a escrever canções que não se “enquadravam” no “perfil musical” deste seu primeiro projecto, as letras ficaram fechadas numa gaveta “a amadurecer”. Quando “chegou o seu tempo”, começou a mostrar as letras a “outras pessoas”, que chegaram a um locutor da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), tendo “feito a ponte” para o compositor JP Simões.
“Ele andava à procura de bandas para o ‘Quilómetro Zero’ e, mais tarde, ligou-me a perguntar se podia gravar um ensaio para passar no programa. Na altura não tinha músicos, porque tinha sido eu a fazer tudo e era um projecto a solo”, recorda.
Vários amigos de José Rebola juntaram-se para integrar este seu novo projecto. Foram escritas novas canções e o resultado culmina no lançamento de um disco.
Neste “As Vidas dos Outros”, José Rebola canta precisamente as “vidas dos outros” e desmultiplica-se em várias personagens de um bairro “imaginário” e "familiar".
De acordo com o autor de Anaquim, este disco é um convite para a “mudança”, porque o que se pretende é que as pessoas se “apercebam de algumas coisas” e façam “aquela pergunta chata – porquê?”
Contudo, adverte que este disco não pretende ser “nenhuma lição de moral”, nem “nenhuma ordem ou instrução”. Antes, “uma primeira fala de uma conversa” que se deve ter com as pessoas.
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